quarta-feira, 15 de julho de 2015

Há dez anos... o Muriqui Linux no Distrowatch

A versão 1.4 da distro com a linda esfera 3D no papel de parede. Projeto gráfico desenvolvido  como objeto 3D com refração utilizando o Blender.


O sonho acabou, mas, como o amor, foi eterno enquanto durou!

Há dez anos nascia o Muriqui Linux.

Revolucionário em a sua interface de instalação gráfica, o Muriqui Linux foi fruto de uma decisão, nascida seis anos antes, de ter um curso de Ciência da Computação que formasse estudantes com uma formação crítica perante a camisa de força do Software proprietário e, ao mesmo tempo, criativo em busca de novas soluções e alternativas tecnológicas.



Na Distrowatch em 2005 (link)


O computador popular foi um projeto encomendado pelo Ministério das Comunicações à UFMG em 2004. A ideia era simples: terminais sem HD e com baixo processamento, com um servidor mais poderoso em um telecentro com 10 - 20 desktops. Logo após o Workshop de apresentação do projeto na Reitoria da UFMG, em dois meses, já tínhamos, em Caratinga, o primeiro laboratório, com esta filosofia, em uso no ambiente educacional. Este foi o impulso para o desenvolvimento do Muriqui Linux que, em sua versão servidor, instalava o servidor central de boot remoto para estações sem disco - Diskless Remote Boot on Linux (DRBL). Posteriormente, passamos a utilizar o LTSP (Light Terminal Server Project), do desenvolvedor Jim McQuillan, a quem conheci em 2005 em Porto Alegre durante o 6o. FISL. Na versão Muriqui, o ambiente de processamento de texto ocorria no servidor, outros aplicativos mais leves no cliente.  Atualmente, diversas distribuições fornecem suporte a essa solução. O pacote LTSP faz parte do repositório oficial de Debian e Ubuntu, além das distros derivadas Edubuntu (Ubuntu), K12LTSP (CentOS) e Skolelinux (Debian) e KIWI-LTSP (SUSE).

Uma história, muitos personagens!

João Fernando (criador e editor da Revista Espírito Livre), Renato Araújo e André -então estudantes do curso de Ciência da Computação da Faculdades Integradas de Caratinga- nos procuraram em 1998. Queriam experimentar o Linux e gostariam do apoio da instituição. Estações de trabalho para testes foram disponibilizadas e tudo começou. Em 1999 toda a infraestrutura de laboratórios e conexão da instituição foi implementada em Linux. Os alunos participaram da instalação do primeiro servidor, pelo João Paulo, da Microhard. Todos os outros servidores foram implementados com recursos humanos desenvolvidos pelo projeto na própria instituição. Dos alunos que acompanharam a instalação, todos posteriormente se tornaram tutores que alavancaram a absorção da tecnologia na instituição.

Nos anos seguintes, muitos se juntaram ao projeto e se tornaram os desenvolvedores da distro Muriqui Linux, lançada em janeiro de 2005, em Teófilo Otoni. Na  coordenação de desenvolvimento a Gicele, o Rômulo (trágicamente falecido em um acidente de automóvel na "rodovia da morte - BR 381") e o Reinaldo Moreira; o Raphael Valente nas artes; a Raquel Borsari no marketing. O FISL de 2005 marcou o lançamento nacional do projeto, que viria a ser adotado pelo Ministério da Educação como distro básica do projeto ProJovem naquele ano. Foi instalado em 32.000 máquinas, o primeiro Linux Educacional do MEC!

No desenvolvimento da versão 1.4 chegaram os brilhantes "meninos" Jacson Rodrigues (Jeiks hoje professor na UFES) e Ronoaldo. O brilhantismo de Ronoaldo podia ser atestado pelo apelido: Harry Potter. Sob a batuta dos "magos", Jeiks e Harry, nasciam os descendentes: ProLinux e VixLinux. Esta fase, já na Flux, com o Jacson Tiola deslanchando o CMS Plone, bem à frente de seu tempo.

O projeto Muriqui Linux perdeu sustentabilidade quando os seus principais desenvolvedores foram contratados pelo governo federal, em Brasília, para a implantação do projeto de Software Livre na administração pública federal, a partir de 2003.

Hoje, das 27 distros que já existiram, apenas duas distros linux brasileiras estão ativas. Os ideais do Muriqui Linux, o sonho de uma distro Debian, para iniciantes, de fácil instalação, se concretizou depois com o Ubuntu!

O Muriqui Linux morreu, mas os ideais vivem no Ubuntu!

2 comentários:

Jose Alimateia disse...

Ei Ulisses, muito legal essa história. Acompanhei o início desse projeto. Que bom que ele foi longe e teve sucesso. Parabéns pela iniciativa e pela formação de muitas outras cabeças com esse ideal.

Ulisses Leitão disse...

Obrigado, Alimatéia!!