sexta-feira, 8 de março de 2013

Royalties pelas águas


Tragédia ambiental no Lago de Furnas

O Secretário de Desenvolvimento do Rio de Janeiro deu entrevista ao Jornal Nacional, neste 8 de março, ameaçando utilizar o Licenciamento Ambiental como arma para tentar reverter o desejo democrático da maioria do País, de que os royalties do petróleo sejam divididos por todo o País.

É fato de extrema gravidade que um político venha a público com tamanho cinismo. Quem acha que estou usando uma palavra forte, que procure assistir ao sorriso de escárnio de Bueno na gravação disponível na internet - AQUI.
 
"A imaginação é infinita, dá para fazer um monte de coisas, um monte de maldades", disse.

Minha posição sobre a questão dos Royalties do Petróleo é a seguinte: não é possível mais uma vez desperdiçarmos a oportunidade de financiar o crescimento igualitário do País. O imposto (royalties é uma eufemismo visando esconder a real natureza do dispositivo legal) só se justifica, na sociedade moderna, como forma de viabilizar políticas públicas que visem a proteção da sociedade.

No golpe que está sendo orquestrado pelo Espírito Santo e pelo Rio de Janeiro, querem utilizar estes impostos para aprofundar as diferenças regionais.

Estamos vivendo uma enorme crise energética. Ao contrário do que tem sido alardeado na imprensa e sustentado pelo governo Dilma, o ano de 2012 foi pródigo em chuvas. Os reservatórios estão vazios por que estamos ultrapassamos o ponto de equilíbrio: estamos gastando mais água para a produção de energia em nossas hidrelétricas do que o razoável. Não tivemos mais apagões este ano por causa do pibinho da Dilma: a indústria freou o seu consumo.

Minas vive uma tragédia ambiental em seus reservatórios. O nível da represa abaixa, floresce a vegetação rasteira. Quando as chuvas elevam o nível do reservatório, a vegetação apodrece e consome o oxigênio da água!


 A represa de Camargos está há seis meses com nível abaixo de 60% - aprox. 4 metros abaixo do nível. O gráfico acima mostra como a Cemig retirou o que pode de água da represa para mitigar o problema da baixa histórica do Lago de Furnas. A curva vermelha representa o fluxo de saída, o azul o fluxo de entrada no Lago. Para se ter uma ideia, por volta do dia 6 de fevereiro o fluxo de vazão da Represa foi de 30 bilhões de litros de água por dia! Se por seis dias toda a água que chegou na represa em final de janeiro e início de fevereiro tivesse sido retida, o lago estaria com capacidade máxima! 
 
A solução para todos estes problemas é evitar esta enorme oscilação de nível. Gastar apenas aquilo que se tem! E agora eu me pergunto:  onde estão os royalties das águas para proteger os direitos dos cidadãos brasileiros que moram às margens destes lagos? Qual é o valor dos "royalties" pagos aos municípios "produtores de água" para mitigar seus problemas ambientais? E quanto à desvalorização do patrimônio e investimentos de cidadãos pela imperícia da ANS em manter as represas cheias?

Não podemos ter mais impostos. Mas podemos redistribuir os royalties do petróleo para ter uma sociedade mais justa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Stapelia


Floresceu a Stapelia!




Nome Científico: Stapelia hirsuta
Nome Popular: Flor-estrela, estapélia
Família: Asclepiadaceae
Origem: África do Sul
Propagação: Sementes, divisão da touceira e estaquia


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Réquiem para um Gato Mourisco

Gato Mourisco
Ele pode chegar a 70 cm de comprimento, pode pesar até 9 Kg.
Lindo e raro, é o Gato Mourisco. Seu habitat são as áreas de várzeas perto de fontes de água corrente.

E foi assim que ele morreu: uma estrada havia que dividia a várzea em duas metades. Km 1 da rodovia Itutinga - Carrancas. Entre 8:30 e 9:00 da tranquila manhã de sábado, dia 2 de fevereiro. Deve ter sofrido uma pancada na cabeça, pois não havia nenhum sinal de laceração. Corpo e pele intactos, revelando a beleza imensa de um animal selvagem.

Quando o vi inerte sobre o asfalto, havia morrido há pouco tempo, pois não estava ali 30 minutos antes quando pessei pela estrada. Senti uma dor como se perdesse um amigo. Que pena, uma vida ceifada tão jovem...

A vida nas paragens da Serra de Carrancas ficou mais pobre. Perdeu um Puma yagouaroundi.

Apesar de toda a sua agilidade, a morte também o encontra


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

What a wonderful world...


Velejando no Ventania em Guarapari

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world
Flores do jardim que plantei
I see skies so blue and clouds of white
The bright blessed days, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world
Entardecer visto do grotão no Sítio Águas Claras

The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
They're really saying, "I love you"
Nathália nas águas vermelhas da Lagoa de Caraís, Parque Paulo Vinhas-ES

I hear babies cry, I watch them grow
They'll learn much more, than I'll never know
And I think to myself, what a wonderful world

Obras de Aleijadinho em Congonhas

Calvagada na Fazenda Brejo Novo

Yes, I think to myself, what a wonderful world.

Férias/2013! Saudades...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

As cores do brejo

Tem os verdes...
 Os mais verdes...

 As vezes o vermelho nos surpreende...

 na beleza da rara Lichia (LITCHI CHINESIS SONN. FAMÍLIA SAPINDACEAE)

Outras tantas, no encontro inusitado com o marrom (Saracura da mata)

Nunca vou entender a paixão dos agricultores brasileiros por destruir a mata com fogo ou moto-serra...

domingo, 23 de dezembro de 2012

Carta aberta a um amigo ateu...

A Nasa detectou uma superbolha brilhante na galáxia-anã Grande Nuvem de Magalhães, vizinha da Via Láctea. Ela está a 160 mil anos-luz da Terra. O brilho intenso acontece porque as estrelas jovens e massivas do aglomerado produzem uma intensa radiação e expulsam matéria em alta velocidade.


Querido amigo,

então é Natal... Como todos os anos, as festas, o fim de ano, as reflexões...
Talvez você tenha razão... Deus pode ser apenas uma ilusão.
Por que seria diferente? Da psicanálise aprendemos que a religião é
aquele suporte emocional, uma muleta para os mais fracos. Desde Auguste Comte, temos esta certeza: o pensamento teológico é o estágio mais infantil do nascimento do pensamento positivo!

Verdade que nestes dias de festa a gente sempre sente um buraco no estômago, como se a vida fosse muito mais do que esta realidade que nos pesa os ombros no cotidiano. Mesmo quando dizemos que tudo se resume à matéria, olhamos o sorrir de uma criança e pensamos que talvez a vida seja mais maravilhosa do que seria de se esperar.

É certo que a dúvida se instaurou de vez quando a gente descobriu que, quase como se fosse um milagre, as constantes físicas estão ajustadas para que o carbono tenha esta incrível mania de criar cadeias longas, que formam aminoácidos, proteínas e DNA's. Claro que tudo é matéria, mas... as vezes a gente até fica na dúvida!

Quando a gente olha os 13,7 bilhões de anos deste Universo, constata que tudo conspirou para que estivéssemos aqui, diante desta nossa incrível aventura, diante deste enorme enígma:  a vida acontece!

Mais incrível ainda: o mundo é compreensível. O espírito humano, tão medíocre em tantos momentos, é capaz de imaginar a criação do Universo, o nascimento das estrelas, o Bóson de Higgs, a distância das Galáxias, o espaço de Planck.

Caro amigo, diante de tudo, como não reconhecer este "milagre"- olha esta palavra teológica pela segunda vez neste texto - da vida.

Querido amigo, Feliz Natal!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Maria parda

Certidão de vovó Licota. Localizada e gentilmente cedida por Carmen Arnoso

Seu nome era Maria.
Simplesmente, Maria.

Era negra, por isto lhe chamaram parda. "p" minúsculo, adjetivo.
O tempo lhe daria o nome de Liberata, mas só quando
o sonho da liberdade lampejasse no horizonte.

Nasceu em tempos de luta e de incerteza.
Fora escrava a sua mãe  (quem poderia me confirmar se o era?) estaria no iato.
Nascida entre  Lei do Ventre Livre de 1871 e a Abolição da Escravatura em 1888.
Teriam seus pais notícia da luta eclodida no Ceará, com a greve dos jangadeiros do Dragão do Mar, que no ano de seu nascimento, em 1881, se recusaram a transportar escravos? Como saber?
 
Sendo parda e escrava, que destino teria então?
A lei estabelecia: seria livre, mas não muito.
Até aos oito anos, viveria com a mãe escrava,
na senzala de seu senhor. Já, de nascimento, teria uma dívida.
Daí em diante sua vida estava nas mãos do senhor de sua mãe.
Poderia ser livre nesta idade e valer a "indenização" de 600$000
ao senhor da senzala onde crescera.
O que faria nesta tenra idade, sem o abrigo da família escrava? Se auto-escravizar como tantos? O que seriam as tais "associações" autorizadas pelo estado brasileiro para utilizar "dos serviços gratuitos dos menores"?

Uma alternativa, poderia ser requisitada pelo senhor de sua mãe a trabalhar por 13 anos, até a idade de 21 anos, para pagar os 8 anos da infância "feliz" na senzala...

Maria Liberata, registrada Maria, parda, mãe de meu pai.

Filha de Maria Amélia, tem registro de nascimento datado de  22 de janeiro de 1881. Talvez, o registro tenha apenas sido forçado pela Lei do Ventre Livre:

Art. 8. § 5.º - Os párocos serão obrigados a ter livros especiais para o registro do nascimento e óbitos dos filhos de escravas, nascidos desde a data desta lei. Cada omissão sujeitará os párocos à multa de 100$000.


Hoje, 130 anos depois, teria direito a participar de cota nas Universidades.

Tardio consolo!

Não ficou na espera, lutou para que seus filhos estudassem e construissem a dura ascensão social da família. Sua força em educar os filhos, deu ao País
uma obra educacional, 6 colégios e o Prêmio Jabuti de 2012: Míriam Leitão.

PS.:  Claro que gerou muito mais frutos na área cultural! Simone e o Brazilian Classical Series em Miami, Beth Leitão e o Bolsa Escola de BH, dentre outros...  


PS II: Com permissão, seguem os comentários de Míriam Leitão:

" Oi Ulisses querido

Estou chorando evidentemente com seu texto sobre a Vó Licota.
Emocionante conjectura. Ninguém sabe ao certo.
Os escravos recebiam nomes das famílias que os possuiam,
ou nomes dados pelos senhores. Por isso a pesquisa é mais difícil.
Sabe-se apenas isso Maria Liberata era parda.
Aí está o fio da meada.
Temos agora também a data de nascimento, o registro forçado pela lei.
A Lei do Ventre Livre tramitou durante seis anos. O Parlamento não queria aprovar, porque considerava que ela ameaçaria a economia.
Vejam vocês, os não nascidos eram ameaças. Que economia era aquela!
A lei foi inspirada por D.Pedro II e defendida no Congresso pelo Marquês de São Vicente. Os argumentos sobre ela e a lei do sexagenário são de ruborizar de vergonha. O pensador e escritor José de Alencar escreveu uma série de artigos
"Novas cartas de Erasmo" em que acusa o Imperador de ameaçar a economia
por tentar acabar com a "Instituição". A tal instituição era a escravidão.

Beijos,  sua irmã
Miriam"