quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

What a wonderful world...


Velejando no Ventania em Guarapari

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world
Flores do jardim que plantei
I see skies so blue and clouds of white
The bright blessed days, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world
Entardecer visto do grotão no Sítio Águas Claras

The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
They're really saying, "I love you"
Nathália nas águas vermelhas da Lagoa de Caraís, Parque Paulo Vinhas-ES

I hear babies cry, I watch them grow
They'll learn much more, than I'll never know
And I think to myself, what a wonderful world

Obras de Aleijadinho em Congonhas

Calvagada na Fazenda Brejo Novo

Yes, I think to myself, what a wonderful world.

Férias/2013! Saudades...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

As cores do brejo

Tem os verdes...
 Os mais verdes...

 As vezes o vermelho nos surpreende...

 na beleza da rara Lichia (LITCHI CHINESIS SONN. FAMÍLIA SAPINDACEAE)

Outras tantas, no encontro inusitado com o marrom (Saracura da mata)

Nunca vou entender a paixão dos agricultores brasileiros por destruir a mata com fogo ou moto-serra...

domingo, 23 de dezembro de 2012

Carta aberta a um amigo ateu...

A Nasa detectou uma superbolha brilhante na galáxia-anã Grande Nuvem de Magalhães, vizinha da Via Láctea. Ela está a 160 mil anos-luz da Terra. O brilho intenso acontece porque as estrelas jovens e massivas do aglomerado produzem uma intensa radiação e expulsam matéria em alta velocidade.


Querido amigo,

então é Natal... Como todos os anos, as festas, o fim de ano, as reflexões...
Talvez você tenha razão... Deus pode ser apenas uma ilusão.
Por que seria diferente? Da psicanálise aprendemos que a religião é
aquele suporte emocional, uma muleta para os mais fracos. Desde Auguste Comte, temos esta certeza: o pensamento teológico é o estágio mais infantil do nascimento do pensamento positivo!

Verdade que nestes dias de festa a gente sempre sente um buraco no estômago, como se a vida fosse muito mais do que esta realidade que nos pesa os ombros no cotidiano. Mesmo quando dizemos que tudo se resume à matéria, olhamos o sorrir de uma criança e pensamos que talvez a vida seja mais maravilhosa do que seria de se esperar.

É certo que a dúvida se instaurou de vez quando a gente descobriu que, quase como se fosse um milagre, as constantes físicas estão ajustadas para que o carbono tenha esta incrível mania de criar cadeias longas, que formam aminoácidos, proteínas e DNA's. Claro que tudo é matéria, mas... as vezes a gente até fica na dúvida!

Quando a gente olha os 13,7 bilhões de anos deste Universo, constata que tudo conspirou para que estivéssemos aqui, diante desta nossa incrível aventura, diante deste enorme enígma:  a vida acontece!

Mais incrível ainda: o mundo é compreensível. O espírito humano, tão medíocre em tantos momentos, é capaz de imaginar a criação do Universo, o nascimento das estrelas, o Bóson de Higgs, a distância das Galáxias, o espaço de Planck.

Caro amigo, diante de tudo, como não reconhecer este "milagre"- olha esta palavra teológica pela segunda vez neste texto - da vida.

Querido amigo, Feliz Natal!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Maria parda

Certidão de vovó Licota. Localizada e gentilmente cedida por Carmen Arnoso

Seu nome era Maria.
Simplesmente, Maria.

Era negra, por isto lhe chamaram parda. "p" minúsculo, adjetivo.
O tempo lhe daria o nome de Liberata, mas só quando
o sonho da liberdade lampejasse no horizonte.

Nasceu em tempos de luta e de incerteza.
Fora escrava a sua mãe  (quem poderia me confirmar se o era?) estaria no iato.
Nascida entre  Lei do Ventre Livre de 1871 e a Abolição da Escravatura em 1888.
Teriam seus pais notícia da luta eclodida no Ceará, com a greve dos jangadeiros do Dragão do Mar, que no ano de seu nascimento, em 1881, se recusaram a transportar escravos? Como saber?
 
Sendo parda e escrava, que destino teria então?
A lei estabelecia: seria livre, mas não muito.
Até aos oito anos, viveria com a mãe escrava,
na senzala de seu senhor. Já, de nascimento, teria uma dívida.
Daí em diante sua vida estava nas mãos do senhor de sua mãe.
Poderia ser livre nesta idade e valer a "indenização" de 600$000
ao senhor da senzala onde crescera.
O que faria nesta tenra idade, sem o abrigo da família escrava? Se auto-escravizar como tantos? O que seriam as tais "associações" autorizadas pelo estado brasileiro para utilizar "dos serviços gratuitos dos menores"?

Uma alternativa, poderia ser requisitada pelo senhor de sua mãe a trabalhar por 13 anos, até a idade de 21 anos, para pagar os 8 anos da infância "feliz" na senzala...

Maria Liberata, registrada Maria, parda, mãe de meu pai.

Filha de Maria Amélia, tem registro de nascimento datado de  22 de janeiro de 1881. Talvez, o registro tenha apenas sido forçado pela Lei do Ventre Livre:

Art. 8. § 5.º - Os párocos serão obrigados a ter livros especiais para o registro do nascimento e óbitos dos filhos de escravas, nascidos desde a data desta lei. Cada omissão sujeitará os párocos à multa de 100$000.


Hoje, 130 anos depois, teria direito a participar de cota nas Universidades.

Tardio consolo!

Não ficou na espera, lutou para que seus filhos estudassem e construissem a dura ascensão social da família. Sua força em educar os filhos, deu ao País
uma obra educacional, 6 colégios e o Prêmio Jabuti de 2012: Míriam Leitão.

PS.:  Claro que gerou muito mais frutos na área cultural! Simone e o Brazilian Classical Series em Miami, Beth Leitão e o Bolsa Escola de BH, dentre outros...  


PS II: Com permissão, seguem os comentários de Míriam Leitão:

" Oi Ulisses querido

Estou chorando evidentemente com seu texto sobre a Vó Licota.
Emocionante conjectura. Ninguém sabe ao certo.
Os escravos recebiam nomes das famílias que os possuiam,
ou nomes dados pelos senhores. Por isso a pesquisa é mais difícil.
Sabe-se apenas isso Maria Liberata era parda.
Aí está o fio da meada.
Temos agora também a data de nascimento, o registro forçado pela lei.
A Lei do Ventre Livre tramitou durante seis anos. O Parlamento não queria aprovar, porque considerava que ela ameaçaria a economia.
Vejam vocês, os não nascidos eram ameaças. Que economia era aquela!
A lei foi inspirada por D.Pedro II e defendida no Congresso pelo Marquês de São Vicente. Os argumentos sobre ela e a lei do sexagenário são de ruborizar de vergonha. O pensador e escritor José de Alencar escreveu uma série de artigos
"Novas cartas de Erasmo" em que acusa o Imperador de ameaçar a economia
por tentar acabar com a "Instituição". A tal instituição era a escravidão.

Beijos,  sua irmã
Miriam"


sábado, 24 de novembro de 2012

The life finds a way...

Flor de Pequi
Esta é a frase que mais impressionou Sérgio Abranches no filme Jurassic Park! Talvez não somente a ele, mas a todos que contemplam extasiados os milagres da vida. Meu grande amigo, prof. Cláudio Davide ri de minhas "descobertas". É a sua área de estudos, como pesquisador do Laboratório de Sementes do Departamento de Ciências Florestais da UFLA.
Mesmo assim, registro aqui  mais um deslumbramento no Sítio Águas Claras.


A represa está seis metros abaixo de seu nível. Andando pela praia que se formou, encontro mudas brotando no chão que deveria estar a pelo menos cinco metros de profundidade no fundo do lago! Um Ingá nasce a quase um quilômetro de distância da árvore mais próxima.

Muda de Ingá que brotou a cinco metros de profundidade no Lago de Camargos.
Pequizeiro está ameaçado de extinção em diversos lugares pelo desmatamento. Poupei uma árvore feia, casca enegrecida pelo incêndio há três anos, quase desfolhada. Plantei um Ipê ao lado, e passei a regar a região. Me presenteou com a sua maravilhosa flor de Pequi.  Agora, enfeita o chalé que já está quase pronto.
Pequizeiro florido.
Durante dois anos, sem dar uma flor e quase sem folhas, mantive a Bouganville em um pequeno vaso em Caratinga. Em Lavras, foi enfeitar a frente de minha casa.

Bouganville
Uma imensa voçoroca triste...
Voçoroca
é o berçario de maritacas, que cavaram seus ninhos na terra arrenosa e frágil da Serra de Carrancas.

Ninhos de Maritacas
A velha Copaíba retratada em um post anterior, deixou sua marca e preservou a espécie!
Copaíba jovem lança seus galhos sobre a represa de Itutinga.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Talvez o mundo não seja pequeno...


Mundo visto da Serra de Carrancas. Talvez o mundo não seja pequeno...

Lembranças do fim de semana com Marcos Heleno, Raquel e Nathália, conhecendo as redondezas do Sítio Águas Claras. Marcos é PT desde 1980, da época que participamos da criação do PT. Tá bravo com minha desilusão com o partido.

"Você está jogando a criança junto com a água suja da bacia. Nem todo PT é assim..."

Talvez ele tenha razão. Mas a liderança que protege Dirceu é inaceitável!
Mas é bom conversar com um petista que mantém acessa a chama da indignação e da luta pela justiça social. Muitos por lá já se esqueceram...

Nem a vida um fato consumado!

Bicho grilo que se preze anda de Vitara

Grande amigo de infância!

Cachoeira do Raulino

Cachoeira do Raulino

Condomínio!


domingo, 7 de outubro de 2012

O voto da viúva traída



Hoje é dia de eleições!
Foi a democracia que fez do País o que ele é hoje, mas
como muitos brasileiros que lutaram contra a ditadura militar
e acreditaram no Partido dos Trabalhadores, me sinto nestas eleições,
como a viúva traída.

Da confissão do "roubou mas foi só para pagar as dívidas da campanha" resta a própria confissão do roubo. A Suprema Corte, apesar de todo esforço  dissimulatório dos réus, caminha para uma histórica condenação do cerne operacional e político do primeiro mandato de Lula.

Quem não se lembra da importância José Dirceu na Casa Civil do governo Lula e o tamanho de sua queda. Eu tenho cá prá mim que Lula não só sabia, quanto  participava dando o aval para toda a roubalheira que se instaurou.

O beijo de Lula em Maluf nestas eleições foi, para mim, a foto que comprova a traição da viúva. Talvez nunca tenha havido escrúpulo nenhum. O Lulinha paz e amor foi a criação de marketing para ganhar as eleições, que ganhou realidade no processo de venda da alma ao diabo.

Hoje, pego meu título de eleitor com lágrimas nos olhos, vou à urna depositar meu voto, com a certeza de que é preciso recomeçar. Reinventar princípios. Nossa luta agora será contra a ditadura dos resultados políticos a qualquer preço, contra a ausência da moralidade pública, contra a traição da palavra empenhada no palanque.

E a gente pensava que poderia descansar...